domingo, 1 de abril de 2012

Fiquei chocada como pude viver quase dois anos sem me posicionar. Sim, é isso mesmo. Nesse processos transformadores ferozes pelos quais tenho passado, não tinha me dado conta de que não estava sendo firme no que pensava, não defendia o que achava, ficava naquela de sorrir pra tudo e passar por cima das coisas sem resolver nada. E olha que eu sempre tive fama de dizer o que pensava - o que, visto de forma retrospectiva, foi o que sempre me impulsionou para a frente nesta vida.
A vida precisou colocar uma situação bem contrastante, bem nada a ver mesmo, na minha frente para que eu enxergasse isso. Eu vi e venci - enxerguei e me posicionei. Tenso. Mas além de os óbvios quinhentos quilos saírem de cima dos meus ombros, aconteceu algo incrível.
De certa forma, parece que a energia ao meu redor circulou! Foi como dizer ao Universo o que eu achava certo e o que eu achava errado. E ao mesmo tempo em que situações novas interessantes começaram a brotar do nada, outras ficaram mais claras. Já que eu me firmei, outras situações se firmaram junto.
Graças a Deus eu nunca tive moral pra reclamar de uma vida difícil. Mas é impressionante como as coisas se turvam quando a gente se turva junto. OK, OK, já prometi que nunca, nunca mesmo vou deixar de dizer o que penso e mostrar o que sou, por pior que as pessoas possam me ver em razão disso. Perdi muitas coisas nestes últimos dois anos por causa disso de querer ficar sendo legalzinha. Já tinha consciência disso. Mas só agora vi que, da consciência para a ação, ainda não tinha sido dado o passo definitivo. Até agora.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Eu normalmente escrevo aqui pra reclamar, questionar etc. etc. E esse Carnaval prometia mais disso... Já passei por aquela situação de estar no exterior nessa época e os gringos me perguntarem por que é que eu não estava no Rio. Porque simplesmente detesto! Sem falar que a energia fica MUITO densa nesta época por causa do povo se preparando para chutar o balde nos bailes, para soltar todos os desejos reprimidos de um ano inteiro e que elas não sabem extravasar na vida diária.
Mas a perspectiva deste feriado, que prometia ser de pura preguiça, mudou do avesso, por causa de fatos singulares de uma sexta-feira de Carnaval. E me vi forçada a escrever em favor das pequenas alegrias que às vezes nos passam despercebidas. OK, pode ser até meio meloso e cafoninha. Mas é a vibe em que estou agora. Não tô me incomodando muito em parecer assim. (Deve ser Netuno em Peixes, deixando a gente meio sonhadora.)
Tudo começou com a vinda para São Paulo. Para driblar o trânsito da Marginal e do Anhembi, vim pela rota D. Pedro/Fernão Dias. Gosto muito desse caminho porque é bonito, pena que não seja o mais rápido - senão o faria mais vezes. Mas ontem o pôr-do-sol foi espetacular. Fazia uma neblina fina que difundia os raios do sol; o céu ficou meio amarelo, meio laranja, contrastando com nuvens cinza-escuro de chuva. Parecia cenário de filme de fantasia. Me senti atraída para aquele céu, mas tinha que me lembrar que não podia olhar muito pra ele, porque estava dirigindo!
E me vi dividida entre esse mundo de sonho e o mundo real, viajando mesmo na maionese mesmo com todas as curvas e caminhões da Fernão Dias. Que coisa engraçada. É muito fácil isso acontecer quando estou na cama me preparando pra dormir. Mas ter essa sensação assim, disparada por um pôr-do-sol bonito (vejo vários em Vinhedo...), foi algo fora do normal. Arriscado para quem está dirigindo - mas um bom sinal de que estou cada vez menos presa a coisas-que-todo-mundo-quer-que-eu-faça.
Mais tarde, chego na casa dos meus pais e vejo uma cena que não via há muito tempo - toda a família reunida, meus irmãos numa disputa acirrada de futebol no videogame, o Martín correndo para todos os lados e um clima incrível de alegria. Sim, alegria. A casa dos meus pais é muito grande e normalmente vazia, as pessoas estão sempre de passagem por aqui. Mas ontem senti algo realmente diferente e que parecia contagiar a todos. Nada como bastante distância e ausência para que a gente perceba a importância das pessoas na nossa vida.
E esse Carnaval, que prometia horas de televisão e sono, vai ser animado. Não no sentido de que vou cair no samba. Mas de que estou com olhos e ouvidos abertos pra navegar no meio das insanidades tão próprias desse feriado através das belas sutilezas de coisas aparentemente comuns, o que torna totalmente desnecessário afogar-se em alegria artificial.  

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Outro dia fui apresentada pela Beta a um tumblr chamado "Celebrity close-up". Dele constam fotos infelizes de celebridades em, aham, "alta definição", mostrando imperfeições, linhas de expressão e todo tipo de problema facial que nós, meros mortais, vira e mexe estamos correndo pra consertar ou prevenir. Afinal, celebridade também é gente!
A reflexão que veio em seguida foi: bom, a gente também é gente. Ficamos surtadas correndo para lá e para cá, preocupadas em fazer limpeza de pele, usar anti-aging e outros paramentos todos para ficarmos minimamente parecidas com pessoas que... Bem, são gente como a gente? Isso prova que querem realmente que corramos atrás de uma perfeição inatingível.
Sei que é chover no molhado discutir a pressão do marketing e da mídia para que a mulher seja compulsoriamente adequada a padrões de beleza (ser bonita é outra coisa, que vem da alma, não é isso aí não). Mas a busca da perfeição impossível é algo pra pensar, né? Denota, como sabemos, um tanto de falta de personalidade e outro tanto de muito tempo em frente à TV ou em sites de variedades.
Na Europa têm sido proferidas interessantes decisões impedindo indústrias de cosméticos de photoshopar as estrelas de seus anúncios. Claro, é propaganda enganosíssima. Mas pode ser reflexo de uma tomada mínima de consciência que pode ter atingido a sociedade (afinal, essas decisões só começaram a pipocar agora e a propaganda enganosa vem atravessando as décadas), agora mais voltada para a importância mínima de cada personalidade perante o mundo. Tô viajando muito? Gostaria de não estar.
Ainda vai levar um tempo até que estejamos todos totalmente desconectados da necessidade de ídolos. Mas, enquanto ainda estamos precisando deles, encerro lembrando de Brigitte Bardot, que optou por envelhecer e pronto, com rugas, pelancas e tudo o mais. Ela fez isso de tão cansada que estava da imagem de sex symbol. Admito que não a seguiria nessa decisão extrema. Mas, para uma personalidade sensível, ver-se como objeto 24 horas por dia e manter essa imagem o tempo todo não deve ser fácil. Ela chutou o balde e quis uma vida absolutamente normal; as demais celebridades, como pudemos ver no tumblr, também dão umas escapadinhas de vez em quando para a situação dos reles anônimos. A gente também pode ter nossos dias de celebridade e nossos dias de anônimo, viu, indústria dos cosméticos?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Nestes tempos de too much information, chega uma hora em que não sabemos muito mais o que pensar. É tanta gente que acha isso e aquilo que o nosso próprio achar fica descompensado.
Não precisa ficar lendo todos os jornais e sites de notícias. Uma passadinha no Facebook ou no Twitter já mostra isso. Todo mundo quer convencer todo mundo da sua verdade. O noticiário é mais comentado nas timelines do que na própria imprensa. Se o sujeito resolve levar a sério cada detalhe de cada argumento, fica doido, perde a noção da realidade.
Eu tava entrando nessa onda e me senti por várias vezes pisando em gelatina mole, porque não é fácil dar conta do fluxo de informação. E tenho uma mania sagitariana danada de sempre querer chegar na verdade. Mas confesso que fazia isso também um pouco por influência daquele pensamento muito em voga de que a gente tem que ser perfeitinha inclusive nas opiniões (inevitável pensar em "Fitter happier", do Radiohead: "an empowered and informed member of society").
Mas tudo muda todo dia, com rapidez tão grande que a gente esquece facilmente o viral de ontem. Não dá pra ser perfeito nesse ponto (aliás, em ponto nenhum), sob pena de não se saber mais onde está a realidade e onde está a invenção da cabeça dos outros. O resultado, usando uma imagem forçada, é como se a gente ficasse em dúvida sobre se jogar do penhasco ou não, porque não sabemos se fomos nós mesmos que decidimos isso ou se falaram tanto que acabamos fazendo. É justamente ao contrário do que eu procuro. Não se chega na verdade.
Mas será que eu chegaria na verdade, anyway?     

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Texto meu sobre Netuno em Peixes, no blog da Binha Martins:
http://grandearte.blogspot.com

sábado, 14 de janeiro de 2012

Na véspera de Natal tive um sonho louco. Andava por um caminho escuro até ver uma luz ao longe. Luzinha meia-boca, mas tava valendo.
Tinha uma pessoa ali. Fui chegando perto, perto, perto... E pasmei quando vi a criatura.
Era eu mesma. Mas não era como olhar no espelho. Imaginem aquela louca que era interpretada pela Helena Bonham Carter nos filmes do Harry Potter, mas com cabelo curto e escorrido. Ela ria da minha cara como se tivesse ouvido piada do Costinha.
Achava graça porque eu deixava pra lá quando, por exemplo, alguém vinha pela milionésima vez "avisar" algo achando que eu não soubesse, com falsa modéstia; quando eu decidia não me vingar de alguém que fazia algo com o que nao concordava; quando eu devolvia troco que veio a mais... E assim por diante.
Claro que ela fazia tudo pelo avesso. Fazia umas coisinhas ainda piores. Mas sabe o que foi o mais louco? Achei legal isso! Era como se eu desabafasse desejos maus que o superego bloqueia pelo treino, pela educação.
Acordei assustada e sem entender direito. Nestes dias me peguei pensando muito nisso de novo, porque ouvi demais sobre a sombra e o lado negro da personalidade, que todo mundo tem mas que fica escondidinho. Essa conclusão de que alguma coisa driblou o superego para que esse sonho aparecesse só veio agora, porque, naquele momento natalino, a coisa foi tão perturbadora que a mandei para as catacumbas da mente, de onde ela veio.
Pensei que a dita sombra estava fazendo um esforço para se mostrar, maior do que nunca. Isso me preocupou, especialmente porque eu ainda tenho (e admito) preocupação exagerada com o que as outras pessoas pensam de mim. Imagina se isso estivesse transbordando e o ascendente Libra aqui não se comportando direito, que feio! Sem falar que tem todo aquele lance de freio social e de correção espiritual, que martela um monte na cabeça numa hora dessas.
Ok, essa manifestação (se ela pode ser considerada assim) deve ter ocorrido por um motivo. A minha sombra nunca se mostrou, ao menos não de forma ostensiva. Ela parecia querer que eu estivesse consciente da sua existência.
Consciente! Por mais assustador que tenha sido me ver vestida de bruxa má pós-moderna, isso não deixa de ser uma vantagem. Pra mim ficou claro que ainda tenho que comer muito feijão antes de me considerar uma pessoa evoluída, que realmente vibra numa oitava superior. Não revidar provocações, não me vingar de ninguém, não enganar ninguém seriam mais consequência da boa educação que tive do que expansão do que realmente vai na minha alma? Isso tem sido uma espécie de prego afiado que tem me pinicado muito esses dias, de um jeito bem dolorido. Mas ter essa consciência facilita muito o começo de um trabalho para reverter esse quadro, porque sei que tenho de transformar possíveis condicionamentos sociais em sentimentos de alma.
Transmutando condicionamentos em sentimentos, também posso extirpar a preocupação com tudo-que-os-outros-vão-dizer. O condicionamento serve de muleta social; o sentimento sincero simplesmente acontece e não procura aprovação.
Hmmm, acho que agora entendi o que Don Juan queria dizer quando afirmou ao Castaneda que "nada importa"...


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

New York Diaries, last chapters

No meu último dia inteiro em New York, fomos ao Riverside Park, perto da casa do Pedro e da Letícia. Além de ser muito bem cuidado e bonito, o parque é interessante porque margeia o Rio Hudson - é, portanto, um parque "comprido", esticado, não quadrado ou redondo como estamos acostumados.
Lá pude perceber que o Martín continua praticando o bom e velho soccer, bem como continua parando o jogo para ver os aviões...
Depois de um suculento sanduíche de rosbife no Lenny's (uma rede de lanchonetes conhecida pela comida saborosa), fui com o Renato e a Mariana para o Brooklin, para conhecer a famosa ponte.
Mas antes fomos passear na Brooklin Heights Promenade, que também é um clássico de New York. No final da tarde, então, fica charmoso demais. Novos ângulos para se ver Manhattan...

As imediações são tranquilas, com aqueles predinhos baixos estilosos. Mas, segundo o Pedro, apenas esse trecho do Brooklin é bacana; o resto está meio degradado.
Conforme nos aproximávamos da Ponte do Brooklin, ia juntando mais gente. Turistas, claro. Todo mundo tirando foto a torto e a direito. A pista da ponte era dividida em duas faixas, uma para pedestres e outra para ciclistas. Mas o povo usava na cara dura as duas pistas, o que deixava os bikers (todos locais) passados. Eles começavam a "buzinar" com aqueles chocalhos de bicicleta e gritavam "bike path" o tempo todo. Mas não adiantava muito... (No trecho abaixo a coisa ainda não tava tensa.)
Um trecho da ponte estava em reforma e não dava para ver direito a paisagem, mas, depois, mais para perto de Manhattan, as "vendas" caíram. Conforme o sol foi se pondo, a paisagem foi ficando cada vez mais linda.
Depois de passarmos por uma massa de turistas enlouquecidos, chegamos a Manhattan. Me despedi dos meninos e peguei o metrô para Upper West Side.
Chegando na minha "casa" novaiorquina, tive de começar a fazer as malas. E pensava que Deus podia causar algum delay que me permitisse ficar um pouquinho mais! Isso foi um sinal de que a viagem foi boa. Mas não rolou vulcão causando na Argentina nem chuva paralisando o tráfego aéreo em São Paulo; então eu tinha mesmo que ir.
Cheguei em São Paulo na noite do dia 2, toda amassada, com saudades de New York, mas foi reconfortante ver meus pais, mostrar as fotos e entregar os presentes. Ter família espalhada pelo mundo é legal para quem adora viajar, como eu; porém, há o lado ruim, de não poder juntar todo mundo no mesmo lugar. Mas acho que eu me acostumo!

Destaques aleatórios
*Quando o Martín estava jogando bola no Riverside, ganhou a companhia de dois menininhos, um da idade dele e outro um pouco mais velho. Só o mais velho jogava... E o Martín insistia em tirar a bola do gol quando estava prestes a fazer um.
*Dúvida cruel: afinal, o que eram todos aqueles cadeados presos nas vigas da Ponte do Brooklin? Simpatia de Ano Novo?
*Foi indo para o JFK que tive a única conversa em espanhol da viagem, com o taxista (equatoriano). Achei que isso aconteceria com mais frequência...